Quando o lixo torna-se um luxo
03/11/2009 10h49
Sabe-se que “lixo” é todo e qualquer resíduo proveniente das atividades humanas ou gerado pela natureza em aglomerações urbanas. Comumente definido como aquilo que ninguém quer. É preciso lembrar, porém, que grande parte dos materiais que vão para o lixo pode (e deveria) ser reciclada. De acordo com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –, o Brasil descarta a cada dia 230 mil toneladas de detritos (mais da metade disso corresponde a lixo doméstico).
Falar de resíduos sólidos é abrir espaço para uma ampla discussão que envolve temas como conscientização e comportamento pessoal, reaproveitamento e reciclagem, limpeza urbana, entre outros. É um processo que está diretamente ligado aos hábitos das pessoas, uma vez que quem produz tantas toneladas de lixo diariamente somos nós mesmos.
Nos EUA, há áreas desérticas especialmente voltadas para os aterros sanitários, mas lá o sistema é feito de forma inteligente. “Indústrias que reciclam papel, vidro, alumínio e plástico já estão devidamente alocadas na área dos aterros e lá já é feita a reciclagem. Em todo o processo nos aterros americanos, o gás produzido é aproveitado, canalizado e usado para geração de energia elétrica”, explica Haroldo Silva, Diretor Técnico do Instituto de Tecnologia e Pesquisa – ITP.
No Brasil, a solução (quando não é um lixão sem o mínimo de controle ambiental) são os aterros sanitários. “Existem apenas 10 incineradores em atuação no Brasil. Um número insignificante para a quantidade de lixo produzida”, salienta Haroldo.
UTV - Para tratar sobre o tema e oferecer uma solução com tecnologia inovadora, o diretor-geral da italiana VM Press, engenheiro Carlo Gonella, esteve no campus Farolândia da Unit na tarde desta quarta-feira, 28. Ele veio apresentar uma solução que o grupo de empresas do qual é membro criou: as Usinas de Termovalorização – UTV. As usinas apresentam grandes vantagens em relação aos modelos já existentes. Trabalham com o sistema de triagem do lixo antes de entrar na máquina para ser prensado e dividido em fração sólida e fração líquida. “A fração seca pode ser guardada, aterrada, incinerada ou retrabalhada, uma vez que por estar devidamente seca não produz chorume”, explica o diretor. As UTVs também possuem uma eficiência energética de 95%, bem diferente dos atuais incineradores em uso no Brasil, que chegam a aproximadamente 40%. Nesse caso, observam-se quantos quilowatts são utilizados no processo do maquinário por tonelada de lixo.“As UTVs têm um gasto de 25 quilowatts por tonelada, mas produzem 400 de energia. Elas consomem apenas 5% do que produzem e isso é um fator positivo”, reforça Carlo Gonella. Conforme apresentado no evento, as usinas são opções economicamente rentáveis para cidades ou consórcios de municípios que produzam, no mínimo, 100 toneladas de lixo por dia. Aracaju, por exemplo, produz 850 toneladas.
Para Genival Nunes, presidente da Administração Estadual do Meio Ambiente – Adema – as UTVs são opções atraentes. “O lixo é um problema urbano e de saúde pública gravíssimo. Os resíduos sólidos atravessam um fluxo que começa em casa, com a separação ou não do material. Sob o ponto de vista da tecnologia, as usinas de termovalorização apresentadas são interessantes porque trabalham o lixo pré-selecionado ou não, produzem energia, biogás e compostos orgânicos que podem ser usados como adubo de forma compacta e objetiva”, explica. Já Eduardo Mato, Produrador do Ministério Público Estadual e que também estava na apresentação, reforça que “a cada ano vemos as cidades brasileiras sofrendo as consequências da destinação incorreta dos resíduos sólidos. Pensar numa tecnologia que faça do lixo algo possível de aproveitamento é sempre uma alternativa motivadora para se pensar no meio ambiente em longo prazo”.
Transferência Tecnológica
Quando questionado sobre a transferência de tecnologia no caso do interesse em contratação das UTVs no Brasil, Gonella foi rápido na resposta. “O Brasil é um mercado potencial nessa área. Por aqui a fração orgânica no lixo é alta porque se consome muito material orgânico (frutas, verduras, etc). As contratantes podem se despreocupar porque vamos transferir o know-how para as empresas e universidades parceiras, que vão aprender a usar a tecnologia e ter posteriormente uma linha de produção”, disse.
Além de garantir o funcionamento e manutenção do maquinário, Gonella ressaltou o interesse comercial da própria VM Press em estar presente em solo brasileiro. “Damos todas as garantias de que o equipamento vai funcionar. Nos envolvemos no empreendimento e entramos como sócios”, reiterou.
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Fonte: ASSCOM/UNIT