Nuesc abre suas portas à inovação tecnológica na área de petróleo
12/02/2010 16h00
A partir desta segunda-feira, 8 de fevereiro, a Universidade Tiradentes passa a integrar uma rede de 19 instituições – 17 nacionais e duas internacionais – que recebem o incentivo da Petrobras para o desenvolvimento de novas tecnologias na área de petróleo. Acaba de ser inaugurado no Campus Aracaju Farolândia o Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais – Nuesc. Em uma área de 540 metros quadrados e com equipamentos de última geração, alguns deles vindos de países como França e Japão, o prédio passa a integrar a estrutura de laboratórios do Instituto de Tecnologia e Pesquisa – ITP – e representa um investimento de R$ 1,4 milhão, recurso totalmente disponibilizado pela quarta maior geradora de energia do mundo. “Considero muito auspiciosa essa parceria entre a Petrobras e a Unit. Tenho certeza de que aqui na Universidade Tiradentes serão desenvolvidas pesquisas fundamentais que irão ajudar a Petrobras a ampliar os seus investimentos em Sergipe, aumentar a produtividade da nossa principal empresa e fortalecer a dimensão nacional da Petrobras, ou seja, vão fortalecer o Brasil na busca da sua independência, no seu fortalecimento enquanto nação produtora de energia e influente no mercado de energia no mundo”, afirma o governador do Estado, Marcelo Déda. “A implantação do Nuesc permite que os pesquisadores sergipanos façam intercâmbio de conhecimentos, de pesquisa, de desenvolvimento com outras universidades e centros de pesquisa, tanto da Petrobras como dos Estados Unidos e Europa. Acredito que esta é a grande vantagem do Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais”, acrescenta o gerente de negócios de exportação e produção da Petrobras, unidade SE-AL, Eugênio Dezen. O Nuesc abriga projetos de pesquisas na área de sistemas coloidais, definidos como misturas heterogêneas onde pelo menos uma fase finamente dividida encontra-se dispersa em um meio contínuo. Um dos sistemas coloidais mais utilizados são as emulsões, constituídas por dois líquidos pouco miscíveis, formando as fases dispersa e contínua. Em geral, as fases separadas só podem ser percebidas quando observadas microscopicamente. É o que acontece com o petróleo extraído de reservatórios, que pode conter 60% de água ou mais, coisa que não se enxerga a olho nu. O fato é que essa água, que contém sais, causa corrosão e deve ser separada do óleo antes do refino. “Na Petrobras nós temos petróleos de diversas procedências, com tipos diferentes de propriedades, e uma dificuldade que é a remoção de água para os sistemas offshore. Então esse projeto do Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais visa nos dar mais subsídios para que consigamos fazer essa remoção de água de petróleo e adequar especificações para a área de refino”, explica a engenheira Regina Célia Guimarães, do Centro de Pesquisas da Petrobras. “São trabalhos que vão ajudar o país no sentido de otimizar os processos de beneficiamento do petróleo. Assim o Brasil desenvolve tecnologia, gera divisas, cresce em suas pesquisas e a população em geral ganha porque você deixa de adquirir tecnologia de fora e desenvolve tecnologia própria”, diz o diretor administrativo do Instituto de Tecnologia e Pesquisa, Cleverton Santa Rita. O prefeito de Aracaju em exercício, Silvio Santos, também comemora a implantação do Nuesc. “Como capital de um Estado tão rico em minerais e um dos maiores produtores de petróleo do Brasil, nossa cidade só tem a ganhar à medida que o ITP e a Unit, na vanguarda do progresso, empreendem uma iniciativa como esta que certamente contribuirá no sentido da formação de quadros, na elaboração de pesquisas que beneficiem o enriquecimento de Sergipe, o crescimento da economia”, avalia. Já o professor Jouberto Uchôa de Mendonça, reitor da Universidade Tiradentes, enfatizou a participação dos acadêmicos da Unit no Núcleo de Estudos Ambientais, que servirá como campo de pesquisa, inclusive, para alunos dos mestrados e do doutorado em Engenharia de Processos. “Temos a oportunidade de, através do trabalho avançado dos nossos pesquisadores, proporcionar o surgimento de soluções que sejam de interesse da melhoria e da eficiência da Petrobras, e garantir que nossos alunos possam se dedicar a pesquisas reais e autênticas, dentro daquilo que vão fazer amanhã, quando já estiverem habilitados profissionalmente”, comenta. Para o professor Jouberto Uchôa de Mendonça Júnior, presidente do ITP, a parceria com a Petrobras denota a qualidade da pesquisa desenvolvida no instituto. “Nós temos diversos projetos em parceria com a Petrobras. Foram mais de R$ 10 milhões investidos pela empresa durante os 11 anos de atuação do ITP e, especificamente neste momento, após a aprovação do Nuesc, já temos mais projetos em funcionamento e outros sendo analisados pela Petrobras, um deles com valor estimado em R$ 2,7 milhões. Tudo isso representa o respeito e a confiança da Petrobras em nosso instituto”.