Pesquisas com cromatografia ajudam no combate às drogas ilícitas e adulteração de medicamentos

26/07/2019

Ao analisar cocaína apreendida nas ruas da Colômbia, pesquisadores da Universidad Industrial de Santander (UIS) descobriram que a droga estava misturada com mais de 50 substâncias que, juntas, potencializavam o poder prejudicial do entorpecente para a saúde do ser humano. Na mistura de uma das amostras estavam antiparasitários, anti-inflamatórios e até princípios que atuam em sentido contrário uns aos outros, como por exemplo, estimulantes e depressivos do Sistema Nervoso Central. “Eventualmente o consumidor está colocando no organismo um coquetel de substâncias, muitas delas que sequer são compatíveis entre si. Ou seja, ele pensa estar comprando uma ‘droga de qualidade’, mas nossas análises mostraram e mostram que isso não é verdade, que ele está potencializando o risco de morte ao fazer uso desses produtos”, observou a Dra. Elena Stashenko, professora e pesquisadora da UIS.

A presença de tantos itens perigosos foi detectada com a ajuda de um cromatógrafo, equipamento utilizado na Química Analítica e responsável por fazer a separação de compostos complexos. A Dra. Elena Stashenko informou que o uso desta técnica, associada à espectrometria de massas, resulta em poderosa ferramenta para separar misturas, transformando-as em componentes individuais, sendo muito utilizada por laboratórios forenses, de controle de doping, pelos que realizam validação de resultados, e análises ambientais.

“Existem, ainda, os contaminantes emergentes que podem resultar da fabricação dessas drogas, e tudo isto é desvendado com o uso da cromatografia, portanto, ela é muito importante em diferentes aspectos da vida social e econômica de qualquer país”, declarou a pesquisadora colombiana. Dra. Elena Stashenko fez questão de esclarecer que quando pesquisas com entorpecentes são realizadas, têm como objetivo principal fornecer às autoridades constituídas informações que auxiliem os trabalhos. “Inclusive, defendemos que seja anunciado à população os resultados para que saibam o que está circulando pelas ruas e tenham ciência de que estão consumindo algo muito pior do que o já declarado”, pontuou.

Dra. Elena Stashenko esteve em Sergipe durante este mês de julho palestrando e proferindo minicursos no XVII Congresso Latino-Americano de Cromatografia e Técnicas Relacionadas (COLACRO), cuja realização contou com o apoio do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP). Uma das palestras da pesquisadora colombiana foi “Cromatografia na análise de drogas lícitas, adulteradas e ilícitas”. Ela explicou que, além das drogas ilícitas, as lícitas, a exemplo de medicamentos, também são alvo de análise por parte dos órgãos reguladores para saber se estão dentro das especificidades aprovadas pelas agências sanitárias e, para tanto, as técnicas cromatográficas também são utilizadas.

“Um exemplo do trabalho com fármacos é analisar se aquele medicamento que está sendo vendido como proveniente apenas de plantas, os chamados naturais, possuem compostos sintéticos que não estavam anunciados, o que pode ser muito perigoso para o paciente. Os medicamentos que apresentam itens não declarados classificamos como drogas adulteradas, produtos que também afetam, sobremaneira, a saúde pública”, analisou Dra. Stashenko. Para ela, a pesquisa desenvolvida nas universidades utilizando a cromatografia pode ser grande aliada das autoridades públicas constituídas, dos laboratórios forenses, polícias e institutos de medicina legal, já que dentro das academias e institutos de pesquisa, a exemplo do ITP, são desenvolvidas novas técnicas de análise e preparação de amostras.

“Intercâmbio entre estas instituições também é muito válido, pois, resultados podem e devem ser comparados. Embora a Universidade Industrial de Santander não tenha convênio firmado com as autoridades públicas do Brasil para tanto, é importante ressaltar que temos feito seminários internacionais com a participação de funcionários dessas organizações brasileiras porque existe uma cooperação internacional absolutamente importante, principalmente no que diz respeito às drogas ilícitas”, comentou a Dra. Elena Stashenko.



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