Cerveja artesanal de batata-doce desenvolvida no ITP ajuda a prevenir contra doenças

06/04/2021
Pontevedra pode ter aplicação direta na indústria de alimentos e bebidas, nutrição e biotecnologia
Pontevedra pode ter aplicação direta na indústria de alimentos e bebidas, nutrição e biotecnologia

Por Andréa Moura

Se a batata-doce já era queridinha entre as pessoas que vivem ou buscam viver de maneira mais saudável, agora ela cairá de vez no gosto popular, pois, tornou-se o elemento principal de uma nova cerveja artesanal produzida por pesquisadores do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), a Pontevedra, que pode ser agregada ao cotidiano alimentar como ingrediente bioativo em formulações alimentícias, pois é, também, uma bebida funcional.

A Pontevedra possui elevado potencial de aplicação industrial, é rica fonte nutracêutica por apresentar atividade antioxidante devidamente comprovada, satisfatório teor de fenóis e flavonóides, e por possuir betacaroteno (pró-vitamina A). Por conter todas essas substâncias, a tecnologia tem potencial capacidade para prevenir contra doenças cardiovasculares e inflamatórias e, por isso, ganha espaço para aplicação direta na indústria de alimentos e bebidas, nutrição e biotecnologia.

A produção da cerveja artesanal à base de batata-doce surgiu durante o doutoramento do então aluno do Programa de Biotecnologia Industrial da Universidade Tiradentes, Bruno Humia, sob a orientação dos pesquisadores do ITP e professores da Unit, os doutores Francine Padilha e Marcelo Mendonça, ao perceberem o forte crescimento do mercado cervejeiro, oferecendo produtos mais elaborados e diferenciados. Todo o processo de desenvolvimento foi realizado no ITP, através de uma parceria entre alguns laboratórios da Instituição, a exemplo do Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais (NUESC) e do Laboratório de Biomateriais (LBMat).

Drs. Francine Padilha e Marcelo Mendonça

De acordo com os doutores Bruno Humia e Klebson Silva (também pesquisador do ITP e que colaborou com o projeto como supervisor das atividades), o objetivo do invento foi gerar um produto de elevada aceitação pelo público consumidor e que pudesse atrelar fatores benéficos à saúde. O diferencial do que fora produzido, segundo eles, também está no sabor único da bebida, já que cada receita de cerveja artesanal possui uma característica marcante, o que pode ser ainda mais realçado na utilização de um adjunto cervejeiro que, neste caso, foi a batata-doce.

“Além disso, por tratar-se de uma variedade enriquecida com betacaroteno, observamos teor significativo desse composto no produto final, o que encaixa a Pontevedra em um grupo de bebidas funcionais”, explicaram. Entre pesquisas, cursos sobre o processo produtivo, testes preliminares para encontrar a melhor formulação, tempo de fabricação e realização dos testes pelo então doutorando Bruno Humia, foi necessário um tempo de mais de três anos para obter uma formulação cervejeira com elevada aceitação por um painel de avaliadores. A patente da invenção envolvendo tanto a formulação quanto a tecnologia do processo produtivo já foi depositada junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

PANDEMIA ATRAPALHOU

Mesmo após o depósito da patente junto ao INPI, a cerveja funcional desenvolvida pelos pesquisadores do ITP ainda não foi apresentada em eventos específicos do setor em virtude da pandemia causada pelo novo coronavírus. “Depois da finalização do doutorado realizamos algumas brassagens (um tipo de maceração) da formulação para distribuição entre potenciais consumidores, com o intuito de estudar o mercado. Foram fabricados cerca de 300 litros da cerveja que foram envasados em garrafas de 300 ml.

Após todo o caminho percorrido, os inventores acreditam que a Pontevedra será muito bem-recebida pela população, pois, além de ter apresentado grande aceitação e elevado potencial mercadológico, possui propriedades funcionais que gerarão bem-estar aos consumidores.

Drs. Bruno Humia e Klebson Silva

“No entanto, desde 2020 temos tido tempos difíceis para todos por causa da pandemia, problema que impossibilitou bastante qualquer tentativa de desenvolver o produto em escala comercial. Iremos aguardar por tempos melhores, quando seja possível compartilhar com a população algo que é extremamente bem-feito e que ajudará a ter uma vida mais saudável”, declarou Dr. Klebson Silva.

INDÚSTRIA CERVEJEIRA NO BRASIL

A indústria de bebidas compõe um dos setores industriais de maior relevância no mundo. O destaque econômico da indústria de bebidas entre os anos de 2005 e 2011 teve grande contribuição das empresas cervejeiras, que corresponderam a 42,7% do valor total das vendas do setor de bebidas, seguidas pelas indústrias de refrigerantes, destilarias e vinícolas. Contudo, há uma crescente vertente de surgimento de pequenas e médias empresas cervejeiras, que enfatizam a diferenciação como forma de atrair um público mais exigente.

No Brasil, dados da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerv) referentes ao ano de 2018 mostram que houve crescimento significativo no número de cervejarias inscritas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Foram registradas 210 novas cervejarias, o que representa a abertura de quatro por semana, fazendo com que o número total do País chegasse a 889 cervejarias artesanais devidamente registradas. De acordo com o estudo “Mercado da Cerveja 2018”, o setor foi responsável, em 2017, pela geração de 37.176 empregos diretos. A produção estimada do setor, por ano, é de aproximadamente 380 milhões de litros.

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