É do ITP um dos dois pesquisadores Sênior do CNPq na área de Engenharia Química em todo o país

19/02/2019

No Brasil existem apenas dois bolsistas de Produtividade Sênior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PQ-Sr/CNPq) na área de Engenharia Química, e um deles é o sergipano, natural de Aracaju, Cesar Costapinto de Santana, que neste ano de 2019 completa 50 anos dedicados à pesquisa científica e à educação, e como coroamento desta trajetória recebeu, neste mês de fevereiro, o anúncio de que a Bolsa PQ-Sr será renovada por mais cinco anos, a contar do mês de março de 2019. Atualmente, o CNPq possui, no país, 151 bolsistas PQ-Sr em todas as áreas do conhecimento e fazer parte desse seleto grupo é, de acordo com o próprio CNPq, “o reconhecimento à contribuição dos pesquisadores para a sua área de conhecimento, pois são líderes em seus campos de atuação e destaque entre os pares”.

Para ser eletivo nesta modalidade de bolsa o pesquisador tem que já ter sido bolsista PQ, de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT) nos níveis 1A ou 1B por, no mínimo 15 anos, consecutivos ou não. “Estou muito feliz com a renovação da bolsa, pois é o reconhecimento de uma instituição renomada, a tudo que temos feito ao longo da carreira”, declarou Cesar Costapinto. Em 2011, ao se aposentar da Universidade de Campinas, onde integrava a Faculdade de Engenharia Química e na qual trabalhou por cerca de 40 anos, Dr. Costapinto de Santana tornou-se pesquisador do Instituto de Tecnologia e Pesquisa fazendo parte do Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais (Nuesc), e se dedicado a pesquisas e projetos nas áreas de biosseparação e processos cromatográficos aplicados a fármacos.

Além de atuar no ITP ele também é Consultor Suplente do CA Engenharia Química do CNPq; integra o grupo de julgamento de projetos de pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP); é professor colaborador da Unicamp/SP e professor Sênior da Universidade Tiradentes/SE. Aos 70 anos de idade, Dr. Cesar Costapinto é um dos nomes mais respeitados quando o assunto é Engenharia Química no país, e uma prova disso são as 1.212 citações no web of science, com um fator H:20. Ele possui dois livros publicados (organizados ou edições): ‘Processos de Extração e Purificação de Biomoléculas’ e ‘Direct and Inverse Problems with Applications in Engineering’; além de 21 capítulos de livros; mais de 100 artigos em periódicos; 132 trabalhos completos em anais de congressos e sete resumos e resumos expandidos em anais de congressos.

O pesquisador do ITP possui duas patentes depositadas junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI): "Processo de obtenção dos Enantiômeros do Verapramil em leito móvel convencional e não convencional" e "Método para monitoramento de propriedades físico-química de gases sob alta pressão utilizando NIR". Também foi orientador de 35 doutores, 50 mestres e muitos pós-doutores, todos na área de  Engenharia Química.

PIONEIRISMO

Dr. Cesar Costapinto mostra com satisfação a única carteira profissional que possui e que foi confeccionada aos 18 anos de idade

Dr. Cesar Costapinto Santana foi um dos responsáveis pelo surgimento do curso de Engenharia Química da Universidade de Campinas, bem como do mestrado e doutorado na área na mesma instituição. Também na Unicamp, atuou na montagem dos cursos de mestrado e doutorado em Engenharia de Petróleo. Foi professor da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná e, ainda como aluno da graduação do curso de Química Industrial da UFS, em 1968, lecionou matemática no antigo Colégio Estadual de Sergipe, hoje conhecido como Colégio Estadual Atheneu Sergipense. Foi, durante seis anos, representante de Área de Engenharias II da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Toda a vida profissional do pesquisador está em uma única carteira de trabalho desde a década de 1960, documento que o acompanha desde os 18 anos de idade e que ele exibe com muito carinho e orgulho. Após quatro décadas fora do Estado natal decidiu retornar e colaborar com o desenvolvimento de Sergipe, tanto na área educacional quanto na da pesquisa científica e tecnológica.

“Deixei o Estado aos 21 anos de idade e sempre tive o desejo de poder contribuir com o local de onde partem minhas origens, e isso foi possível assim que eu me aposentei porque ainda me considero muito útil. Com a renovação da bolsa PQ-Sr tenho, pelo menos, mais cinco anos de horizonte para trabalhar em pesquisa científica e tecnológica, e a ajudar a formar mais recursos humanos”, comentou o pesquisador. Segundo ele, um país só tem uma área de engenharia forte se possuir, na mesma área, ensino e pesquisa robustos, e afirma que a única diferença entre o que é realizado no Nordeste do país e o que é feito nas instituições do eixo Sul e Sudeste diz respeito ao tempo de existência/consolidação das entidades.

“Aqui no Nordeste temos excelentes profissionais e bons laboratórios como o NUESC, que é excelência em algumas áreas de pesquisa, inclusive, com forte interação com o Centro de Pesquisas da Petrobras. E justamente por essa interação é que estamos iniciando, em parceria com aquele centro, um projeto grande na área de gás natural. Esse fato já demonstra que não há diferença de qualidade”, comentou o pesquisador do ITP. Questionado sobre a importância da Engenharia Química para o desenvolvimento do país, ele foi categórico ao dizer que ela é fundamental não só para o Brasil, mas para o mundo, pois trabalha com as transformações da matéria, átomos e moléculas visando as transformações industriais, sendo uma das mais produtivas tanto em trabalho, quanto em pesquisa e recursos humanos.

“Ela é central para o desenvovimento de qualquer país, pois está relacionada a todo tipo de indústria, não só a do petróleo ou petroquímica, pois quase todas as indústrias trabalham com processos químicos. Além do mais, oferece uma formação bastante ampla e um currículo rico, pois o profissional de Engenharia Química tem que estudar Química, Física, Matemática e, atualmente, também Biologia, para saber enfrentar os processos biotecnológicos, afinal de contas a biotecnologia é uma da áreas que mais está em desenvolvimento e tem uma parte muito forte que necessita de profissionais da EQ. Portanto, é uma profissão necessária, em ascenção e valorizada”, garantiu o Dr. Cesar Costapinto.



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